Vacinas que Brasil avalia comprar chegam às últimas etapas de testes; veja o que já se sabe sobre cada uma

Vacinas que Brasil avalia comprar chegam às últimas etapas de testes; veja o que já se sabe sobre cada uma
G1 mostra quais s√£o os resultados j√° apresentados por cada uma das 3 vacinas em acordo com o governo do Brasil: CononaVac, ChAdOx1 e Sputnik V. Na última semana, duas vacinas contra a Covid-19 – Pfizer e Moderna – divulgaram resultados positivos e uma efic√°cia de mais de 90% em estudos de fase 3, a última fase antes do pedido de registro junto às reguladoras. No entanto, elas ainda n√£o têm um contrato com o governo federal ou estados brasileiros. Em que est√°gio est√£o os projetos com acordos firmados para distribui√ß√£o no Brasil?

Ministério faz reuni√Ķes com laboratórios de 5 vacinas contra a Covid para discutir 'possíveis futuras aquisi√ß√Ķes'

Testes de Covid voltam a cair em outubro; especialistas alertam que exames são essenciais para rastrear e frear avanço da pandemia

De acordo com a Organiza√ß√£o Mundial da Saúde (OMS), existem 212 pesquisas em desenvolvimento no mundo, com 48 delas sendo testadas em humanos e 11 est√£o em estudos de fase 3.

Quatro laboratórios est√£o fazendo testes no Brasil: Sinovac, Oxford e AstraZeneca, Janssen e BioNTech/Pfizer. As duas primeiras j√° têm algum acordo para fornecimento de doses. O governo do Paran√° assinou acordo com a Sputnik V, da Rússia, para parceria no desenvolvimento.

Sinovac/CoronaVac (China)

A vacina CoronaVac, da farmacêutica chinesa Sinovac, é a aposta do governo de S√£o Paulo. O Instituto Butantan recebeu as primeiras 120 mil doses prontas e adquiriu a licen√ßa para produ√ß√£o em sua própria estrutura.

O que sabemos até agora:

O estudo mais recente sobre a vacina foi publicado na terça-feira (17) na revista "The Lancet". Ele apresentou os resultados da fase 1 e 2 em adultos de 18 a 59 anos.

743 pessoas participaram do resultado desta pesquisa, com duas doses diferentes uma de 3 ?g e outra de 6 ?g. A dose menor acabou recomendada.

O principal resultado: a vacina é segura, e induziu a produ√ß√£o de anticorpos neutralizantes em até 28 dias após a aplica√ß√£o de duas doses em 97% do grupo imunizado.

Esse tipo de vacina usa o vírus morto ou por partes dele, o chamado "vírus inativado".

Primeiras doses da CoronaVac chegam a SP: quais os próximos passos?

O que ainda falta:

A publica√ß√£o dos estudos em fase 3. A efic√°cia - porcentagem de pessoas que de fato entrou em contato com o vírus após a vacina√ß√£o e n√£o se infectou – ainda n√£o foi comprovada para a CoronaVac.

Caso a efic√°cia da vacina seja comprovada, a farmacêutica poder√° pedir o registro junta à Agência Nacional de Vigil√Ęncia Sanit√°ria (Anvisa) e autorizar a produ√ß√£o, que dever√° ser feita pelo Butantan em S√£o Paulo.

Oxford e AstraZeneca/ChAdOx1

A vacina ChAdOx1, desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca, foi o primeiro acordo firmado pelo Brasil e apresentada pelo Ministério da Saúde como a escolha inicial para o Sistema Único de Saúde (SUS).

O que sabemos até agora:

Nesta quinta-feira (19), a "The Lancet" também publicou os resultados de fase 2 da vacina. Ela apresentou os resultados para três grupos: de 18 a 55 anos; de 56 a 69 anos; e com mais de 70 anos.

Esse estudo mostrou os resultados dos testes de 560 pessoas, sendo que 240 tinham mais de 70 anos.

A pesquisa mostrou que a vacina é segura e consegue uma resposta dos anticorpos, com rea√ß√Ķes adversas leves e menos comuns em idosos.

Os estudos foram pausados duas vezes: uma em setembro, quando um participante desenvolveu uma forma de inflama√ß√£o chamada mielite transversa; outra em outubro, com a morte de um volunt√°rio brasileiro que participava dos testes. O volunt√°rio, entretanto, n√£o recebeu a vacina que est√° sendo testada, e sim um placebo (uma subst√Ęncia inativa).

Este tipo de vacina usa um adenovírus que afeta chimpanzés para transportar o RNA do Sars-Cov-2 para dentro do corpo humano. Assim, o corpo j√° "se prepara" e se protege contra o vírus.

Vacina da Universidade de Oxford e Astrazeneca demonstra efetividade em idosos

O que falta:

Com a constata√ß√£o de que os eventos adversos dos participantes n√£o estavam relacionados à vacina, o ensaio da fase 3 foi retomado e est√° em andamento. Os pesquisadores precisam finalizar os testes e apresentar a efic√°cia da vacina, além de publicar os resultados e, assim, entrar com o pedido de registro junta à Anvisa.

O governo brasileiro dever√° produzir a vacina na Funda√ß√£o Oswaldo Cruz. A previs√£o do Ministério da Saúde é de distribuir 30 milh√Ķes de doses no início de 2021.

Instituto de Pesquisa Gamaleya/Sputnik V

Em 11 de novembro, o governo russo divulgou os resultados preliminares da fase 3 da vacina Sputnik V, a primeira a apresentar os dados de eficácia e ter registro para aplicação no mundo, mas sem a publicação em revistas e revisão dos dados por outros cientistas.

Os testes acontecem por enquanto na Rússia, mas um documento foi assinado pelo governo do Paran√° em agosto para garantir o desenvolvimento da vacina no estado.

'Precisa um pouquinho mais de transparência com os dados da Sputnik V', diz Nat√°lia Pasternak

O que sabemos até agora:

De acordo com o governo da Rússia, a vacina é 92% eficaz

A efic√°cia foi calculada com base em 20 casos confirmados de Covid. Os estudos, conduzidos na Rússia, têm 40 mil volunt√°rios.

A vacina russa é aplicada em duas doses. Os resultados da efic√°cia foram calculados 21 dias depois da aplica√ß√£o da primeira dose e um dia após a aplica√ß√£o da segunda dose.

O governo russo informou ainda que n√£o houve eventos adversos inesperados durante os ensaios.

Como a vacina de Oxford, a Sputnik V também usa um vírus modificado para introduzir parte do material genético do coronavírus no organismo e induzir a prote√ß√£o.

O que falta:

A comunidade científica aguarda a publica√ß√£o dos resultados em revistas científicas para ter mais seguran√ßa com rela√ß√£o ao imunizante e, assim, ter mais opini√Ķes sobre a vacina.

É necess√°rio que haja um pedido de registro do imunizante junta à Anvisa com a apresenta√ß√£o completa dos dados para avalia√ß√£o da reguladora.

Ainda é importante acertar como seria a produ√ß√£o da vacina do Brasil, o que ainda n√£o ocorreu.

E as outras vacinas em teste no Brasil?

Outras duas farmacêuticas internacionais fazem estudos clínicos de suas vacinas no Brasil - Janssen e Johnson & Johnson (Ad26.COV2.S) e BioNTech/Pfizer (BNT162b1). N√£o h√°, no entanto, um acordo firmado com órg√£os do país para a compra da tecnologia e distribui√ß√£o.

Farmacêutica Moderna afirma que sua vacina é 94,5% eficaz contra Covid-19

No caso da BNT162b1, a Pfizer anunciou nesta semana que teve um encontro com executivos do Ministério da Saúde para apresentar a vacina. Os dados da fase 3 j√° foram publicados e apontam uma efic√°cia de 95%. Nesta quinta-feira, o governo confirmou que est√° avaliando a compra da vacina, além de outros 4 produtos:

Janssen (EUA)

Instituto de Pesquisa Gamaleya (Rússia) - a mesma do acordo com o governo do Paran√°

Moderna (EUA)

Covaxin (Índia)

A Ad26.COV2.S, da Janssen e Johnson & Johnson, teve uma pausa nos testes devido a um evento adverso apresentado em um dos volunt√°rios, mas j√° retomou os estudos de fase 3 no início deste mês. A mRNA-1273, da Moderna, também publicou os resultados da última etapa e apresentou uma efic√°cia de 94,5%.

As vacinas da Moderna e da Pfizer s√£o do tipo mRNA, usam uma parte do material genético viral para "enganar" o corpo humano e ele j√° desenvolver um sistema de defesa para o vírus. H√° um desafio, no entanto: os países ter√£o que criar uma estrutura para transporte e armazenamento a -70¬ļC.

Vídeos: novidades sobre vacinas contra a Covid-19