Possível tratamento para Covid-19 entra na última fase de testes no Reino Unido

Possível tratamento para Covid-19 entra na última fase de testes no Reino Unido
Cientistas dizem que o tratamento, com os chamados anticorpos monoclonais, pode beneficiar pessoas que n√£o podem ser vacinadas. Tratamento para Covid-19 entra na fase 3 de testes no Reino Unido

Cientistas no Reino Unido anunciaram que v√£o come√ßar, neste s√°bado (21), a terceira e última fase de testes de um possível tratamento contra a Covid-19, a doen√ßa causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2). Segundo os pesquisadores, o tratamento, que usa anticorpos monoclonais, pode ajudar quem n√£o puder ser vacinado contra a doen√ßa.

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O tratamento ser√° testado em mil pessoas no Reino Unido e outras 4 mil ao redor do mundo. Foi desenvolvido pela farmacêutica AstraZeneca – que também trabalha, em parceria com a Universidade de Oxford, em uma vacina para a Covid-19, que tem previs√£o de ser fabricada no Brasil pela Fiocruz.

Nos testes em solo brit√Ęnico, metade dos pacientes vai receber o medicamento experimental e a outra metade, um placebo (subst√Ęncia inativa). Inicialmente, o estudo vai avaliar se o medicamento protege as pessoas de se infectarem com o Sars-CoV-2. Depois, vai investigar se o remédio serve como tratamento logo no início da infec√ß√£o.

A inten√ß√£o dos cientistas é que ele seja usado rapidamente em locais onde houver surtos, como casas de repouso e navios de cruzeiro. Isso também ser√° testado posteriormente.

Benefício

Os anticorpos monoclonais podem dar ao paciente uma "imunidade passiva" contra uma doen√ßa. Diferente das vacinas – cujo objetivo é estimular o sistema imune a produzir seus próprios anticorpos – os anticorpos monoclonais j√° entram no corpo da pessoa "prontos" para combater o vírus.

O método tem pontos em comum com a terapia de plasma (que também ainda é experimental). O estudo dos monoclonais demanda, entretanto, mais tempo, por ter uma sele√ß√£o de genes que garante um produto específico contra o vírus.

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"As vacinas funcionam em pessoas que têm um sistema imunológico funcional", explicou Kate Bingham, chefe da for√ßa-tarefa de vacinas do Reino Unido, ao jornal brit√Ęnico "The Guardian".

"Se você est√° imunossuprimido e est√° passando por transplantes de medula óssea ou tratamentos que realmente reduzem sua capacidade de montar uma resposta imunológica, ent√£o esta é basicamente a única forma atual de fornecer essa imunidade passiva de curto prazo", esclareceu.

O custo, porém, é alto. Duas empresas, Regeneron e Eli Lilly, que produziram coquetéis de anticorpos para tratar pessoas em hospitais, definiram seus pre√ßos em US$ 600 (cerca de R$ 3,2 mil) a US$ 1 mil (cerca de R$ 5,4 mil) a dose, segundo o "The Guardian".

O número de pessoas no mundo que receberiam o coquetel de anticorpos em vez da vacina seria, entretanto, relativamente pequeno, disse ao jornal brit√Ęnico o vice-presidente executivo de biofarmacêuticos da AstraZeneca, Mene Pangalos.

"S√£o milh√Ķes de doses, contra bilh√Ķes", afirmou.

Vacina

Como as vacinas funcionam?

A AstraZeneca e Oxford ainda n√£o divulgaram, diferente de outras empresas (veja mais abaixo), nenhum resultado preliminar da efic√°cia de sua vacina experimental contra a Covid-19.

"Estamos no caminho certo para ainda ter dados antes do final do ano ou antes do Natal. Acho que ainda esperamos poder dosar, se mostrarmos que a vacina é segura e eficaz, no final do ano", disse ao "The Guardian" o vice-presidente executivo de biofarmacêuticos da AstraZeneca, Mene Pangalos.

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Nas últimas semanas, laboratórios como a Pfizer, a Moderna e o Instituto Gamaleya, na Rússia, divulgaram resultados iniciais de fase 3 sobre a taxa de efic√°cia de suas vacinas ainda em desenvolvimento. Nenhuma publicou, até agora, estudo científico com os dados.

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A taxa de eficácia representa a proporção de redução de casos entre o grupo vacinado comparado com o grupo não vacinado.

Na prática, se uma vacina tem 90% de eficácia, isso significa dizer que 90% das pessoas que tomam a vacina ficam protegidas contra aquela doença.

Os dados iniciais divulgados pelas empresas apontaram as seguintes taxas de efic√°cia para suas vacinas em desenvolvimento. Os índices ainda podem mudar:

Pfizer: 95% de efic√°cia

Moderna: 94,5% de efic√°cia

Instituto Gamaleya (Rússia): 92% de efic√°cia

A FDA, agência regulatória dos Estados Unidos equivalente à Anvisa no Brasil, j√° anunciou que qualquer vacina deve comprovar 50% de efic√°cia antes de ser liberada nos EUA.

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