CEOs podem (e devem) ser aliados da diversidade

CEOs podem (e devem) ser aliados da diversidade

 

Qual o legado de uma liderança que coloca as pessoas no centro das decisões e busca combinar resultados financeiros com prosperidade social? Qual o sentido de uma liderança que gera valor apenas para sua organização? São algumas das perguntas que estimularam um grupo de CEOs de grandes empresas a implementarem políticas de diversidade e inclusão nas suas organizações. Depois de dois anos de intenso trabalho e resultados positivos, o grupo amplia o desafio e lança o Movimento Impacto – CEOs pela Diversidade e Inclusão, para inspirar, mobilizar e engajar outras lideranças para a causa e, assim, contribuir com a redução das desigualdades no Brasil.

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No dia 26 de novembro, a Fundação Dom Cabral promoveu um evento on-line para lançar o Movimento Impacto. Eu, Liliane Rocha, CEO da Gestão Kairós, sou a consultora especializada no tema e apoiadora do trabalho do grupo. Além de mim, participaram do lançamento a Lídia Abdalla, CEO do Grupo Sabin, Paula Paschoal, Senior Director da Paypal no Brasil, Renato Carvalho, CEO da Novartis, e Herbert Lima, Global Head de Serviços da Rappi. Na ocasião, abordamos o tema: Diversidade, Inclusão e Competitividade: o legado da liderança.

Esta história começou nas salas de aula da Fundação Dom Cabral, com a iniciativa CEOs Legacy, que reúne presidentes de empresas comprometidas em fazer a diferença e ampliar sua capacidade de influência para além dos muros de suas organizações, mobilizadas para construir legados positivos para a sociedade. Em 2018, 10 CEOs da iniciativa decidiram se dedicar ao tema da diversidade e inclusão. O grupo estruturou um projeto que teve como ponto de partida o aprofundamento do entendimento sobre o tema, por meio de workshops e conversas com especialistas, e a implementação de programas de diversidade e inclusão nas empresas, com definição de indicadores e metas. Foram dois anos de muito aprendizado e avanços importantes, como a redução de desligamento de mulheres no retorno da licença maternidade, a aceleração de promoção de executivas e executivos negros, a inclusão de refugiados na força de trabalho, entre outros.

Em resposta a alguns questionamentos centrais feitos por mim, duas mulheres CEOs que fazem parte do grupo, e que admiro porque estão se empenhando nessa atividade, compartilharam suas expectativas e visões. Viveka Kaitila, CEO e presidente da GE Brasil, afirmou que “depende exclusivamente de cada um de nós entender que precisamos caminhar juntos nessa jornada, convictos de que é o nosso papel incluir, desenvolver, atrair e reter grupos minorizados com o objetivo de fazer uma reparação histórica, dar oportunidades para que todos partam de um mesmo lugar e possam concorrer no mercado de maneira igual. Pessoalmente, vejo isso como uma missão extremamente urgente, um propósito que temos no CEOs Legacy para que possamos nas empresas representar a sociedade em que estamos inseridos com igualdade, justiça e respeito a todos. Acredito que é uma jornada longa, de construção diária, sem volta e tenho imensa honra de fazer parte dela junto com todos os meus colegas da GE”.

Já Paula Paschoal, do PayPal, me disse: “Eu não vou sossegar enquanto não tivermos na liderança das empresas uma fotografia da população do Brasil. Eu só consegui chegar aonde estou porque tive oportunidades ao longo da minha vida e da minha carreira. E são essas oportunidades que eu gostaria de gerar para todas as pessoas do meu país. E, além de ser a coisa certa a fazer, a inclusão gera melhores resultados para as organizações”.

Além disso, o Antonio Batista da Silva Junior, presidente executivo da FDC, reforça que “os negócios devem promover desenvolvimento econômico e inclusão social, considerando todos os stakeholders. As organizações precisam equilibrar melhor a performance econômico-financeira e o progresso social. O mundo está mudando e as exigências para o novo líder também. Ele precisa fazer escolhas éticas considerando o imperativo da longevidade empresarial, as rápidas transformações no ambiente de negócios e a necessidade do desenvolvimento social. É neste contexto que surge a iniciativa CEOs Legacy e o grupo Impacto, é uma demonstração de que é possível conciliar a entrega imediata com decisões e ações consistentes para enfrentar os preconceitos , a exclusão e as desigualdades de acesso a oportunidades que impedem o avanço de nossa sociedade ”.

Agora, partimos para uma nova fase! Reforçado pelos demais CEOs da iniciativa da FDC, o grupo dá origem ao Movimento Impacto e quer inspirar e atrair mais lideranças para a causa. “É o momento de compartilhar nossos aprendizados e sensibilizar executivas e executivos sobre a importância de se colocar de fato as pessoas no centro de todas as decisões de negócios. Queremos ampliar o impacto no sistema empresarial e mostrar que a diversidade com inclusão melhora o desempenho das organizações. E, especialmente em um momento em que vivemos tempos difíceis, precisamos ampliar a consciência sobre o respeito e a equidade para fazermos um mundo mais digno para todos”, afirma Gustavo Werneck, líder do Grupo Impacto.

Você que está lendo esse artigo, que tal falar para o(a) CEO da sua empresa fazer parte desta iniciativa?

*Liliane Rocha é CEO e Fundadora da Gestão Kairós, consultoria especializada em Sustentabilidade e Diversidade, autora do livro Como ser um líder Inclusivo e premiada com o 101 Top Global Diversity and Inclusion Leaders.