Óleo extraído da maconha tem eficácia no tratamento de pacientes com epilepsia, conclui pesquisa da UFMG

Óleo extraído da maconha tem eficácia no tratamento de pacientes com epilepsia, conclui pesquisa da UFMG
Estudo também aponta como o Canabidiol atua para reduzir as crises. Planta de 'Cannabis sativa', da qual é possível extrair o canabidiol

Kimzy Nanney/Unsplash

A eficácia do canabidiol (CBD), óleo extraído da maconha, foi comprovada para o tratamento da epilepsia por uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

De acordo com Antônio Carlos Pinheiro de Oliveira, professor do departamento de farmacologia da UFMG e responsável pelo estudo, além de praticamente abolir as crises, o óleo tem um efeito neuroprotetor, que protege os neurônios durante os ataques epiléticos, evitando a morte deles e a inflamação do cérebro.

"Ele, de fato, diminui as crises epiléticas em animais e, de forma muito potente, inclusive", explica o professor sobre a pesquisa que foi realizada em animais e células que foram estudadas em placas de laboratório.

Benício, de 12 anos, começou a usar o óleo há sete anos e teve as convulsões reduzidas de 30 a 60 por mês para uma ou duas no mesmo período, e nunca mais precisou ser hospitalizado. Leandro Ramires, pai do menino e presidente da Associação Brasileira de Pacientes de Cannabis Medicinal, luta há anos pelo uso do medicamento e recente conseguiu a autorização da justiça para plantar a maconha e fazer a extração do óleo para o tratamento do filho.

Leandro Ramires e o filho Benício.

Reprodução redes sociais

As crises epiléticas podem causar uma série de distúrbios neurológicos e fisiológicos, como perda da memória, da capacidade de concentração e ainda desencadear problemas psiquiátricos, salienta o pesquisador da UFMG.

Após concluída a eficácia do canabidiol, foi pesquisado como a substância atua nas células para produzir esse efeito. Segundo Oliveira, o óleo atua em uma proteína que temos dentro de uma célula específica do corpo. Essa membrana também tem participação em outras doenças, além da epilepsia.

"É como se fosse um dominó, uma peça que interage com a outra", reitera o responsável pela pesquisa.

De acordo com Oliveira, os estudos sobre os efeitos do óleo vão continuar. "Precisamos entender o mecanismo de ação. Se entendermos o mecanismo de ação, podemos prever os efeitos terapêuticos e talvez prever efeitos colaterais".

Ainda não há comprovação da substância para outras doenças. Em 2014, o Conselho Federal de Medicina autorizou o uso e prescrição do CBD para o tratamento de epilepsia em crianças e adolescentes, que já tentaram tratamentos convencionais e não tiveram resultado. Neste ano, o canabidiol chegou nas farmácias do Brasil.